Christian Dunker é Psicanalista, Professor Titular do Instituto de Psicologia da USP (2014) junto ao Departamento de Psicologia Clínica. Obteve o título de Livre Docente em Psicologia Clínica (2006) após realizar seu Pós-Doutorado na Manchester Metropolitan University (2003). Possui graduação em Psicologia (1989), mestrado em Psicologia Experimental (1991) e doutorado em Psicologia Experimental (1996) pela Universidade de São Paulo. Atualmente é Analista Membro de Escola (A.M.E.) do Fórum do Campo Lacaniano. Tem experiência na área clínica com ênfase em Psicanálise (Freud e Lacan), atuando principalmente nos seguintes temas: estrutura e epistemologia da prática clínica, teoria da constituição do sujeito, metapsicologia, filosofia da psicanálise e ciências da linguagem. Coordena, ao lado de Vladimir Safatle e Nelson da Silva Jr,. o Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. Em 2012 ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro em Psicologia e Psicanálise com a obra "Estrutura e Constituição da Clinica Psicanalítica" (Annablume, 2011). Em 2016 ganhou o segundo lugar no Prêmio Jabuti em Psicologia, Psicanálise e Comportamento com o livro "Mal-Estar, Sofrimento e Sintoma" (Boitempo, 2015). Publicou ainda "Por quê Lacan? (Zagodoni, 2016), "A Psicose na Criança" (Zagodoni, 2014) e "O Cálculo Neurótico do Gozo" (Escuta, 2002).

Aspectos Históricos da Psicanálise Pós Freudiana

1. O Freudismo

Os últimos dez anos da vida de Freud foram um período conturbado. Não só para a psicanálise mas para a definição do que viria a ser a época em que vivemos. Para o historiador Erich Hobsbawm é neste período do entre guerras (1919-1938) que se delinearam as matrizes de uma nova forma de Estado e de sociedade, bem como um novo modo de capitalismo. É um período de reflexão e balanço crítico sobre os destinos...

Christian Ingo Lenz Dunker

Tássia Monteiro Borges é graduada em Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), trabalha com Educação e Linguagem há mais de 15 anos. Atua como Psicanalista Kleiniana de crianças, adolescentes e adultos além de ser docente em escolas de Psicanálise em São Paulo e no Rio de Janeiro. É Coordenadora de Metodologia de Estudo e Pesquisa do Gepech.

Tássia Borges

Estudar psicanálise foi, antes de tudo um compromisso que assumi de me relacionar com o seu fundador: Sigmund Freud. Isso significou, pra mim, conhecer sua história, seus pensamentos e sua teoria aliada à experiência clínica.

 

Só que ler Freud não é simples. Por mais que suas palavras sejam transmitidas com ética, elas ressoam em nós mesmos, em nosso psiquismo, principalmente ao nos depararmos com conteúdos e situações que reverberam em nós. Dependendo de como e com qual texto esse encontro ocorre, a angústia pode prevalecer e tomar conta de todo nosso emocional. À medida que nos aprofundamos, percebemos que para além de suas palavras, é sobre cada um de nós que ele está falando. E isso é impactante. 
 
É comum dizer que ler Freud é uma tarefa difícil, árdua e complexa, porque ao nos fazer ter contato com um conhecimento, nos coloca na posição de buscar compreensão sobre o assunto e também nos relaciona com o que está sendo apresentado. Adentrar no universo da psicanálise por suas linhas é um desafio extremo, que implica aprendizado e reflexões, tanto no campo da capacitação do profissional, quanto no âmbito emocional de um simples aprendiz.

 

É um contato instigante, um encontro que acaba por ser inevitável consigo, e que desperta insights – como já dizia o próprio, que os definia como “compreensão interna” desde o primeiro livro de sua obra. Isso extrapola a compreensão intelectual de verbetes e suas inter-relações, atinge o campo emocional e, por isso, nos toca, afetando nosso íntimo, promovendo, inclusive, uma relação transferencial (outro conceito freudiano) com o pai da psicanálise e sua teoria em si.

 

Já que falamos sobre conceitos, vale ressaltar que Freud sempre procurou usar terminologias que haviam sido utilizadas em outras ciências ou palavras comuns que não pertenciam a qualquer jargão científico. Contudo, percebeu que tal fato poderia gerar interpretações diversas, e, sendo assim, sempre demonstrava a construção do seu pensamento antes de qualquer definição. Ele demonstra o relato de suas investigações por meio da exposição de suas reflexões e de sua “veia” pesquisadora.

 

A leitura da obra de Freud não é algo exclusivo ao aspirante psicanalista, mas também é referência para os estudantes das diversas áreas das ciências humanas e interessados pelo assunto. Com isso, cada um à sua maneira, pesquisadores traçam linhas de pensamento e se debruçam sobre as palavras desse célebre pensador do século XX, que modificaram a compreensão sobre o psiquismo e o saber sobre o ser humano.

Conhecendo Freud pelos seus textos

MÁRCIA TEIXEIRA

A IMPORTÂNCIA DE CONHECER A TEORIA PSICANALÍTICA

Saber as bases de uma disciplina sobre a qual alguém vai construir seu edifício profissional é fundamental. Muitas vezes, as pessoas ao defrontarem-se com um estudo, um artigo, uma elaboração em áudio ou vídeo, uma aula, um curso, um seminário, uma palestra ou um congresso entende aquele momento como enfadonho e sem sentido, terminando por pensar que nunca vai compreender aquelas questões ali apresentadas, porque isso ocorre?

Quando nos deparamos com o desconhecido isso pode nos fascinar ou nos entediar. Mas, quando ouvimos algo que anteriormente tenhamos lido e pesquisado, ainda que de uma forma básica, modesta, inicial e nos deparamos com a explicação ou uma nova visão daquilo que já conhecemos um pouco ou profundamente, aquela aula, seminário, palestra, congresso, etc..., torna-se extremamente agradável.

Tenho por prática fazer cursos de extensão presenciais e online, ir a palestras e congressos, em minha prática profissional e intelectual-acadêmica necessito de ouvir outras vozes sobre o mesmo assunto. Como se esgotaria o conhecimento de algo tão magnífico como a mente humana e, como poderia se esgotar o conhecimento sobre a psicanálise, essa investigadora arqueológica do inconsciente?

Por isso, a recomendação que deixo aos que irão se aventurar nos estudos dessa apaixonante disciplina chamada psicanálise é que leiam, leiam muito, primeiramente sobre Freud, mas também sobre Lacan, Ferenczi, Anna Freud, Jung, Melanie Klein, Françoise Dolto, Bion, Donald W. Winnicott, entre outros ícones da teoria psicanalítica. Leiam sobre a história do movimento psicanalítico, sobre seu desenvolvimento e sua permanência até os dias atuais, leiam sobre psicanalistas da atualidade como Elisabete Roudinesco que muito tem contribuído com essa história.

Quando se domina o conhecimento de algo ou, pelo menos, se tem uma ideia formada daquilo que está sendo dito, as construções mentais se interligarão com seu conhecimento adquirido anteriormente, e então, tudo se tornará mais límpido em seu entendimento. Ser psicanalista é algo fascinante, extremamente agradável, e além de tudo, quando somos psicanalistas de verdade, buscaremos todo o conhecimento possível para que possamos aplicá-lo em nossa clínica, sempre seremos o SSS do nosso paciente, contudo, sempre teremos a mais profunda consciência que não somos o SSS de nós mesmos. 

Márcia Teixeira – Psicanalista.